terça-feira, 5 de abril de 2011

Diálogo Sagrado





Diálogo Sagrado
(V.C.B)

Vendo que a Ingratidão no mundo 
assemelhava-se à imensidão que via, 
Do alto da Montanha Sagrada 
ouviu-se o triste lamento 
do jovem chefe ao Nada:

"Aquele a quem mais o bem eu fazia, 
            a quem tive qual um filho amado, 
           de quem tanto zelei pela vida
   agora é quem de mim mais reclama?" 

- respondeu-lhe o Eco, em seguida: 

   ama! 
    ama! 
    ama!   

"Quem comigo as preces fazia 
  Há tão bem pouco tempo passado 
  E, comendo da minha comida, 
  Quer jogar o meu nome na lama? 

- respondeu-lhe o Eco, em seguida: 

ama!
ama!
ama!

  Do ponto em que estás nesse monte, 
  Tens tu uma noção do Horizonte, 
  Era outra a que tinhas lá em baixo, 
  Também tu me serias ingrato, 
  Se pintasses de mim um retrato, 
  Só com as cores que de lá tu vias. 

  Tem o Monte respeito às Planícies, 
  Pois é delas que ele se levanta, 
  O que digam do monte lá embaixo, 
  Apenas por momentos inflama:  
  O que diga o Monte de cima, 
  É o  que  compromete  sua fama:   

    ama, 
    ama, 
    ama! 

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...assim ouvi, assim falou, 
   A Velha Coruja Branca.

Texto de André Damázio.

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