Diálogo Sagrado
(V.C.B)
Vendo que a Ingratidão no mundo
assemelhava-se à imensidão que via,
Do alto da Montanha Sagrada
ouviu-se o triste lamento
do jovem chefe ao Nada:
"Aquele a quem mais o bem eu fazia,
a quem tive qual um filho amado,
de quem tanto zelei pela vida
agora é quem de mim mais reclama?"
- respondeu-lhe o Eco, em seguida:
ama!
ama!
ama!
"Quem comigo as preces fazia
Há tão bem pouco tempo passado
E, comendo da minha comida,
Quer jogar o meu nome na lama?
- respondeu-lhe o Eco, em seguida:
ama!
ama!
ama!
Do ponto em que estás nesse monte,
Tens tu uma noção do Horizonte,
Era outra a que tinhas lá em baixo,
Também tu me serias ingrato,
Se pintasses de mim um retrato,
Só com as cores que de lá tu vias.
Tem o Monte respeito às Planícies,
Pois é delas que ele se levanta,
O que digam do monte lá embaixo,
Apenas por momentos inflama:
O que diga o Monte de cima,
É o que compromete sua fama:
ama,
ama,
ama!
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...assim ouvi, assim falou,
A Velha Coruja Branca.
Texto de André Damázio.

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